Foi só olhar pra cima pra perceber. Ela estava lá, envolta
em seus fios negros, radiante. Serena, como se fizesse vista grossa para as
coisas que julgava serem ruins. Às vezes parecia gélida, mas era tão
transparente como um rio congelado que fora exposto ao inverno rigoroso, não
conseguiam perceber que era mais frágil do que se dizia ser, que podia ser
mais, mas rendeu-se aos encantos do que era estável. Havia sido marcada para
sempre, embora jamais deixasse que soubessem seus reais motivos, no fundo era
só aquela garota simples que sempre fora, a garotinha que se escondia em seu
cobertor quando o trovão do medo a atormentava. Já havia sentido o sabor da
traição, mesmo deixando à mostra que se superava a cada segundo que passava. Escolheu
então prosseguir quieta, apenas sendo a observadora, sabendo de tudo, mas nunca
mexendo em nada, nunca transformando nada. Rebelou-se contra o coração, o
fechando para sempre, para que não machucassem ele com bobagens cotidianas, já
havia passado daquela fase. Foi ai que despertou, me olhou nos olhos com aquele
brilho que eu sabia pertencer a ingenuidade das mais profundas filosofias,
sabia que não era o que as pessoas diziam, e sabia o que era viver.
A menina Lua olhou pro alto e disse olá quando viu o sol
surgir, esticou-se para tocá-lo e foi dormir, já estava na hora de descansar.
By: Theus


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